terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Bactéria mineradora produz partículas de ouro

http://nytsyn.br.msn.com/cienciaetecnologia/bact%C3%A9ria-mineradora-produz-part%C3%ADculas-de-ouro


Garimpeiros podem vir um dia a utilizar placas de Petri para ajudar nas suas buscas. Uma espécie de bactéria forma nanopartículas de ouro para se desenvolver em soluções tóxicas do metal precioso, informa um artigo publicado na revista Nature Chemical Biology.
A molécula com a qual as bactérias criam essas partículas pode um dia vir a ser usada para extrair ouro de resíduos de minério, diz Frank Reith, um microbiologista ambiental da Universidade de Adelaide, na Austrália, que trabalha com bactérias processadoras de ouro, mas não esteve envolvido neste último estudo.
Reith encontrou uma primeira evidência convincente que as bactérias se desenvolvem em partículas de ouro há dez anos. Em diversos locais, separados por milhares de quilômetros, ele e sua equipe acharam a bactéria Cupriavidus metallidurans vivendo em biofilmes em pepitas de ouro. Essas bactérias desintoxicam o ouro líquido, secretando-o em nanopartículas inertes dentro de suas células. Reith e seus colegas passaram a última década tentando entender como isso ocorre, mas ainda não publicaram suas conclusões finais.
Alguns biofilmes também continham uma segunda espécie de bactéria: Delftia acidovarans. Nathan Magarvey, bioquímico da Universidade McMaster, em Hamilton, no Canadá, e sua equipe cultivaram essa espécie na presença de uma solução de ouro e descobriram que as colônias bacterianas estavam cercadas por halos escuros de nanopartículas de ouro. Os pesquisadores concluíram que a D. acidovarans estava de alguma forma criando partículas de ouro no exterior de sua parede celular, e não dentro, como a C. metallidurans.
Genes de ouro
Por meio de análises bioquímicas e do genoma, os pesquisadores descobriram um conjunto de genes e um metabólito químico que foram responsáveis por precipitar o ouro. Bactérias que foram modificadas para não terem esses genes mostraram não formar mais halos escuros e tiveram o crescimento retardado na presença de ouro. A equipe também isolou uma substância química produzida por bactérias não modificadas que provocou a precipitação das partículas de ouro a partir de uma solução. Essa substância química foi denominada delftibactina.

Os investigadores sugerem que os genes que identificaram estão envolvidos na produção e desvio da delftibactina para fora da célula. Ao precipitar o ouro, a D. acidovarans pode impedir que o metal entre em suas células. Magarvey, porém, diz que é possível que a D. acidovarans também use outros mecanismos para desintoxicar o ouro que rompe as suas paredes celulares.
O trabalho de Magarvey 'complementa o nosso muito bem', diz Reith. Essas duas espécies bacterianas podem viver em simbiose, com a D. acidovarans utilizando a delftibactina para diminuir o ouro solúvel até níveis com os quais ambas as espécies consigam lidar. Pode ser que uma corrida do ouro auxiliada pelos micróbios ainda venha a acontecer, diz Reith. A delftibactina poderia ser usada para produzir nanopartículas de ouro catalisadoras de muitas reações químicas, ou para precipitar ouro a partir da água residual produzida nas minas. 'A ideia é utilizar uma bactéria ou metabólito para semear essas pilhas de resíduos, deixá-las descansando durante uns anos, e ver se partículas maiores se formam', diz Reith.
Magarvey está levando essas possíveis aplicações a sério: ele garantiu direitos de propriedade intelectual sobre a delftibactina. Contudo, enfatiza que está mais interessado em entender as propriedades químicas dos metabólitos. 'Adoraria poder dizer que estamos aqui, no Canadá, cultivando quilos de ouro todos os dias.'
The New York Times News Service/Syndicate – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times.


Nenhum comentário:

Postar um comentário